sábado, 8 de outubro de 2016

O Horizonte Mais Belo de Todos!

Três cavalinhos encontraram três estradas. Cada estrada um terreno diferente que levava a um lugar diferente. Dois dos três animais seguiram pelo terreno menos árido, enquanto o terceiro escolheu o caminho com o horizonte mais bonito; embora, para sua infeliz escolha, com um solo extremamente infértil e seco.

Na metade do caminho escolhido pelos dois cavalos, eles se depararam com um enorme campo, de relva farta e verdejante, e pequenos lagos, satisfazendo assim as suas fomes e sedes. Já o cavalinho solitário, por mais milhas que tenha percorrido, tudo que havia à sua frente era a outra metade da estrada para ainda se galopar, cercada com paisagens rochosas e apáticas; mas o nobre cavalinho sabia, ah, ele sabia, que o horizonte de seu caminho era o mais bonito de todos e, isso, acima de tudo, superaria qualquer dificuldade pelas quais passou ou eventualmente passaria. Os outros cavalos? Bom, eles aproveitariam o caminho, mas nunca o resultado final!

E, com esse instinto em seu cérebro animalístico, o nobre cavalinho solitário continuou a sua jornada, enfrentando o calor intenso, chuvas repentinas, ventos frios e diversas outras brincadeiras do clima. Lutou contra a fome, lutou contra a sede, lutou contra as dores musculares, os insetos, o terreno, tudo!

Os dois cavalos engordaram, o nobre cavalinho solitário não. Os dois cavalos podiam galopar em alta velocidade sem nenhum cansaço, o nobre cavalinho solitário não. Os dois cavalos já estavam chegando no final de seus objetivos, o nobre cavalinho solitário não, pois já havia morrido antes mesmo de ver o horizonte de perto. E toda poeira ácida o enterrou naquele ambiente sem vida.

Quando os cavalos finalmente pararam, já estavam onde queriam. E em que lugar bonito eles estavam! O oásis dos cavalos, eu diria. Era o horizonte que o nobre cavalinho solitário inocentemente enxergou. O horizonte que mesclava ilusoriamente com a estradazinha ruim que não levava a lugar nenhum, senão à morte. Mas quem pode culpá-lo? Paisagens vivem se misturando! É uma confusão danada!

Os cavalos viveram muito naquele lugar verde e encantador. E pode se dizer que morreram de velhice. E satisfeitos! Como ficaram! Espalharam os seus genes e já haviam cumprido com o seu dever de animal. Se precisavam de algo mais, seria, com certeza, a companhia de seu querido amigo, jazido a sete ou mais palmos da terra.

Mas ele havia tomado sua decisão, afinal, se tivesse vivido o suficiente para enxergar a real aparência de seu horizonte, pobre cavalo, morreria ainda mais infeliz.


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