sábado, 24 de setembro de 2016

A Nossa Primeira Vez


Não há primeira vez perfeita. Sim, soa horrível ter que ler palavras assim e, acredite, soa horrível até mesmo escrever palavras assim, mas, baseando-se na minha vida e na da maioria das pessoas, senão todas, não há uma primeira vez perfeita. Não importa o que seja. A primeira vez sempre servirá como o alicerce de um prédio. Pense comigo: no futuro, isto o sustentará, mas não constituirá todo o seu corpo. Apenas fará parte. É o que é, naturalmente. Além disso é ampliação ficcional.

Para provar isto não se precisa de muito, basta retrogradar por um breve momento de sua vida e adentrar numa lembrança. Imagine, você, algo em que seja bom. Pode ser qualquer coisa. Como tocar violão, escrever, jogar vôlei, fotografar, desenhar, enfim, qualquer coisa. Tudo bem, agora que você tem algo em mente, retroceda. Sim, volte até o início, para a época em que você descobriu que podia fazer isto que faz, desta maneira que faz, atualmente. Consegue ver que suas habilidades atuais sobrepujam a sua primeira tentativa? E é claro, para tudo que você pensar, verá isso. Por quê? Oras! Porque o mundo não para de evoluir. Há um ditado popular — ou talvez seja popular apenas para mim — que diz que todo indivíduo possui um mundo próprio em sua cabeça.

Mesmo parados, nosso corpo, internamente, está a todo vapor. Poderá estar tirando um bom cochilo que uma inércia plena não o atingirá. Graças a isso, por melhor que você possa começar algo, este algo não será perfeito. E não é só porque a perfeição não existe  — ou não está ao alcance — para nós, seres humanos, mas sim porque você provavelmente irá evoluir e os seus critérios irão mudar. Para quem está agindo constantemente, a mudança é quase imperceptível, pois a mente humana é tão adaptativa ao ponto de interpretar cada pequena evolução como um estado natural. Você não percebe até ver o quão, mais uma vez, natural é em executar a tarefa em que se dispusera a aprender. O que causa o famoso sentimento de humildade pós-questionamento. Uma pessoa indaga a você:

— Como você pôde se tornar tão bom nisso?

E você responde:

— Sinceramente, eu não sei dizer. O que sei dizer é que não sou tão bom assim como você pensa.

Mas você é.

Ou a pessoa diz: Você é talentoso.

Mas não é, porque não existe talento e, sim, vários tipos de inteligência e habilidade.

Acredite, fico constrangido em afirmar algo tão obvio. Porém, uma coisa que não consigo entender é o porquê das pessoas, mesmo sabendo desta obviedade, continuarem a desistir, no início, de seus sonhos, ou de seus objetivos, ou de seus projetos, ou mesmo de suas interações humanas, pois acabou não saindo do jeito que queriam. Em outras palavras: não saiu perfeito. Claro que não sairia! O cérebro sempre imagina uma situação "perfeita", ou, no mínimo, agradável. Esta é a maneira que sua mente "presente" pensa. Mas sabemos que ambas situações são improváveis, principalmente a primeira. No cérebro há nebulosidade em excesso.

E, então, o que se pode concluir disso tudo? Bom, que primeiras vezes não são feitas para se concluir, mas sim para se começarem, como aparenta ser. Elas fazem você ter dúvidas e, às vezes, até se sentir mal. Ela mostra o que pode ser e não o que é. E para isso você precisa de apenas um pouquinho de fé.

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