quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Estrada Sem Começo


Há uma pergunta recorrente na maioria dos seres humanos. Esta pergunta, perpétua da sua maneira, é tão longínqua quanto o início da humanidade. Possui suas variações, seus motivos e, principalmente, a sua lógica, mas, em suma, é sempre a mesma coisa, indiferentemente de sua religião, cultura, crenças, conceitos ou personalidade. É a mesma coisa. O que é, então?

Qual é a minha importância para o mundo? 

Ou a famosa variação:

Qual é o meu objetivo de vida? 

Bom, então eu lhe respondo: nenhum. A única importância que deve ser frisada é se isso ou aquilo é importante, para, adivinhe, você. Sim, aqui estamos na velha filosofia egoísta. A vida é o presente. Não há futuro, nem passado, há memórias e previsões. Você, ou eu, ou mesmo aquele individuo admirante da massa, num resumo bem banal, não vai significar nada para o mundo, pois ele vai morrer e levar consigo todos os seus feitos. A longo prazo, não existirá legado e nem mesmo alguém para se lembrar daquilo que um dia orgulhosamente fora feito. Por quê? Porque a morte é o único objetivo da vida. 

Então, eu prefiro a variação: qual é o meu objetivo de vida? Assim tornam as coisas mais práticas, não concordam? Você passa do pensamento puro de altruísmo e foca no que é importante para sua jornada: você mesmo. Até porque — e isso podemos ver no mais profundo da psique humana —, mesmo sendo altruístas de vez em quando, não fazemos isso com o objetivo de nos sentirmos melhor e, posteriormente, vermos que esse ato bom pode reduzir o sentimento de vazio? Pois cada ser humano possui seu próprio buraco. Talvez para amenizar a culpa, ou por obrigação, ou, talvez, para soterrar a crueldade aleatória da existência. Tudo em prol da consciência limpa. E só. Que se dane o restante das pessoas. Ajudou? Este é o importante. Não importa se, mais tarde, as coisas apenas desenrolaram em desgraças.

Não há altruísmo verdadeiro. Altruísmo é um bode expiatório para o egoísmo.

E o quão babaca seria eu se afirmasse que este texto é uma verdade universal? Afinal, graças a infinidade de mentes pensantes, 7 bilhões de pessoas, ou pelo menos a maioria capaz de pensar e raciocinar, não há verdade universal. Cada um vive com sua própria verdade, mesmo o universo, num mundo feito de ilusões. 

Mas não posso deixar de afirmar que toda a existência é egoísta. E se toda existência é egoísta, não há respostas para a pergunta: qual é a minha importância para o mundo?   

Por que eu afirmo isso? Ei, a vida é basicamente sobrevivência, certo? Tudo no universo luta constantemente para sobreviver. Até mesmo bactérias, microscópicas, menor do que você consegue imaginar, estão por aí, através de seu corpo, de sua casa, lutando para sobreviverem. Em boa parte da história, a sobrevivência pode não parecer egoísta, já que as suas grandes vitórias são conquistadas graças ao coletivo, ao conjunto de inúmeros seres visando a segurança de suas vidas e lutando por elas. É aí que está a chave para a resposta. Pois, o coletivo, como uma estratégia de combate, é usado para, adivinhe de novo, manter a sua vida com mais segurança e efetividade. Claro, há idiotas que lutam — ou lutavam — quase que integralmente por outros, mas estes basicamente não estão vivendo, apenas flutuando e respirando. E mesmo eles não querem morrer.

Como a morte é assustadora e implacável, ela obriga a todos os seres darem um jeito. Ah! Existem os suicídios. Pretensão minha dizer que um suicida é egoísta? Eu tenho consciência da existência de problema psicológicos, depressão, fatores psíquicos que levam uma pessoa a encerrar a sua tristeza definitivamente. E também tenho consciência dos fatores externos, da pressão extrema que o cotidiano e as causalidades criam a um ser humano, levando ao ato de Bang!, estourar os miolos. Mas o suicídio ainda é um meio para se livrar da dor. Que dor? As dos outros seres? Não, a sua. Embora existam suicídios coletivos, um suicídio é sempre feito por si mesmo, senão seria homicídio. Então é egoísta. E covarde — embora eu admire que é uma solução eficaz. Você quer se livrar de algo que te incomoda, então você se mata. Senão você mataria aquilo que te incomoda. Egoísmo, mais uma vez. Neste caso, esqueça o certo ou o errado, ou o bom e o ruim, para o mundo, é tudo apenas uma cadeia de eventos desenrolantes. Trágicos e felizes, depende da ótica.     

Enfim, enrolar é uma benção, mas me propus a responder a variação: qual é o meu objetivo de vida?, então irei responder. A princípio de tudo, o seu objetivo de vida é impossível de ser determinado por mim, é algo que você decide por si mesmo. Mas, num sentido vago, seu objetivo de vida é simplesmente o prazer. Não há surpresas. Eu falo de todas as variações do prazer, não apenas do sexual. — Foda-se — é o certo a dizer; estamos cada vez mais perto de conhecer o fim, portanto não há, e não deve ter, limites. 

"Ridículo!", você exclama, "A sociedade naturalmente me impõe limites. E a você também. Como poderíamos fazer o que quisermos?"

Existem leis. Universais. Existenciais. Penais. Existem leis para tudo. Ter leis já é uma lei para a existência. E, naturalmente, é impossível quebrar algumas delas, pois, em sua ausência, o caos, enraizado em todos nós, ficaria extremamente visível. Um dos pilares para evitar o descontrole é a justamente a ética e a moral. Não distorcidas. E digo isso porque se há um padrão de ética e moral na maioria dos seres humanos, qualquer dessemelhança já é distorção. Isto também é uma lei. Ou uma ilusão absoluta.

Então não há, e não deve ter, limites para a expansão de sua mente. Ela te proporcionará coisas fantásticas, como exercer a profissão que você sempre quis ou satisfazer o seu maior desejo de ação. 

A parte interessante é visualizar a sua estrada sem começo. Este, um espaço individual, é complexo. Você olha para a frente e apenas vê pedaços da estrada, pedaços distintos e de várias formas, flutuando linearmente para o que parece ser a frente. Mas, quando você olha para trás, não há nada. Não há começo ou mesmo fragmentos de um início, não porque você nunca teve uma origem, mas porque o começo sempre se dissolvia a cada passo que você dava. Como a areia de uma ampulheta. E neste lugar, há apenas uma área sólida e firme. Onde você está. E onde você está é permitido que você faça o que quiser. Pois este é o seu objetivo de vida.

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