quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

White

Cá estou pensando com os meus botões. 

O que eu represento para as pessoas? Qual imagem minha pessoa passa para elas? Alguma imagem ruim? Boa, talvez? É claro, a imagem é submetida à suas ações. Se você faz o certo para uma determinada pessoa, então com certeza ela pensará o correto sobre você, mas outra pessoa pode discordar e então criar uma imagem distorcida sua. 

É básico, mas complexo. Afinal, cada indivíduo pensa de uma maneira exclusiva. Cada um decide o que é certo do o que é errado. E com isso molda a personalidade do mesmo. 

Agora vamos para um situação fictícia: 


Em uma cidade distante do interior de Lucem, há um jovem adolescente de 15 anos, bem próximos aos 16. Esse adolescente era bastante admirado pelo seus colegas de escola e pelas pessoas ao redor. Bastante educado, inteligente e divertido, era um exemplo a se seguir. Mas com o tempo, ele perdeu o interesse de tudo aquilo, e começou a se "decair". 

Os seus colegas é claro, começaram a decaírem na concepção do adolescente em questão. Afinal, boa parte das personalidades deles eram moldadas pelo White. Sim, vamos chama-lo de White, assim é mais fácil o identificar. 

Antes de tudo, vamos voltar ao começo. 

Ele possuía vários amigos, mas não eram muitos que viviam perto dele. Sempre havia os "exclusivos". Os seus leais escudeiros, assim dizendo.

E como qualquer escudeiro, eles possuíam admiração pelo White. E como toda admiração, há um pouco de inveja no fundo, ou melhor dizendo, vontade de se sobressair sobre o topo. Eles não queriam ser apenas a imagem, eles queriam superar isso.

Mas White mantéu-se firme, então era raro coisas do tipo acontecer. Fora isso, eles viviam em harmonia, como qualquer grupo de amigos, apenas seguindo o cotidiano de forma natural. 

Tudo que era diversão, acontecia por volta do horário da escola.
Pouco antes de ir à escola, na escola, e curtamente no fim dela. 

Até que ele se cansou disso tudo e abandonou a escola. Deu fim naquela euforia diária e corriqueira, e então, voltou ao caminho da solidão. 

Com isso, ele foi perdendo todas as suas amizades aos poucos. Primeiro foram os menos conhecidos, depois desvanecendo os seus mais próximos. 

Hoje, ainda resta um resquício de amizade, algo não muito visível. E até ele optou por desmanchar algumas companhias por conta própria. Do que sobrou, eles ainda possuem aquela admiração por quem ele foi, não por quem ele era no momento.

O White havia mudado, não era mais o mesmo, e isso rendeu péssimos resultados no seu círculo social. 

Não importava mais o quão divertido ele era, renegavam essa mudança. Ainda o tratavam como antes. Mas ele obviamente tinha em mente que o passado não passa de passado. Nada mudaria se tudo continuasse com essa síndrome de museu. O quão cansado ele já estava antes disso, piorou. 

A cada dia que passava, mais antipatia ele criava, o ódio e desprezo se manifestavam em sua pessoa, e com isso, ele acabas se tornando algo inclassificado. Um homem de várias máscaras, que eram usadas de acordo com cada situação.

Bem, ele ainda possuía sentimentos, mas os guardava para dentro de si. Por lado de fora, uma pessoa fria, calculista, que não se importava com mais nada. 

Por dentro, um terrível caos. 

O rumo em que ele trilhava foi se despedaçando aos poucos e perdendo visibilidade total. Desorientado, persistia com os seus últimos resquícios de força. Almejando no fim, encontrar a ponte que resolveria os seus problemas. Mas de forma solitária.

Todos de quem ele gostava foram destruídos lentamente, e as cicatrizes do passado o atormentava. Porém havia uma coisa no White que os outros não possuíam. Nunca fugir dos problemas. 

Independente da dor mais cruel que possa sentir, ele jamais abaixaria a cabeça e largaria tudo. Não, ele iria atrás daquilo que ele quer, seja lá o que o desconhecido aguarde para ele. 

O medo é um tigre de papel, assusta, mas nada faz. 

Ele então percebe que mesmo sendo desprezado, ele não podia deixar de ser quem era. O passado é imutável, o futuro é incerto e sempre pode mudar, mas o presente, esse sim é o único que você pode trilhar. Nem que para isso, você precise seguir assustado. 

É claro, mesmo não fugindo de seus problemas, isso não quer dizer que não machuca, que não dói, que simplesmente é inerte. Não, é uma tortura. 

Uma tortura sem fim, que persiste por toda sua vida. É uma tortura que não possui um mesmo nível de dor, ela varia de acordo com cada situação. Tem horas que é quase imperceptível, tem horas que preferimos jamais ter postos a viver nesse mundo. Mas não adianta fugir, isso é só uma forma temporária de se desviar de um problema, que no fim sempre volta. As vezes forte, as vezes com sua solução no papo. 

Imagino que vivemos em um programa de investigação. Os problemas são os crimes/mistérios/enigmas. Nós, os detetives. 

Se não resolvermos o que temos que resolver, então não recebemos, não concluímos com o nosso dever, não recebemos uma promoção e estaremos arruinados na carreira, sempre serás atormentado pela falha, e deixará o errado impune. 

Isso obviamente afetaria muito com a pessoa, e a jogaria contra o chão. Mas como todo caso, tudo há uma explicação e uma possível solução, sempre há uma maneira de resolver. E é isso que permite os humanos viverem. Sentir a dor nos proporciona colecionar cicatrizes para o passado, nos adapta para conseguirmos viver sem arrependimentos e superar qualquer tipo de infortúnio. 

Se o White existisse, aposto que almejaria sempre o futuro brilhante que ali o aguarda. Que se dane o passado, isso são apenas cicatrizes que "saram."

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